sexta-feira, 14 de junho de 2013

A Repressão às Manifestações pela Redução da Passagem



A truculenta repressão às manifestações em São Paulo já tiveram até agora um saldo de 235 detidos, mais de uma centena de feridos, muitos gravemente. Ontem a PM agiu com extrema violência contra a manifestação que estava sendo pacífica até ela chegar, aprisionando indiscriminadamente inclusive por porte de vinagre (que atenua os efeitos do gás lacrimogêneo), como aconteceu com o jornalista da Carta Capital Piero Locatelli. Este não foi o único repórter que foi detido no exercício da profissão, o Sindicato de jornalistas de SP divulgou lista ainda incompleta com os nomes de 17 repórteres detidos e agredidos. O fotógrafo Sérgio Silva, da Futura Press, levou uma bala de borracha no olho e tem pouquíssimas chances de recuperar a visão.

Neste dia (13) a manifestação pode ter reunido cerca de 20 mil pessoas que protestam contra o aumento da tarifa. Vídeos divulgados na internet mostram os manifestantes gritando “sem violência” para os policiais que, por sua vez, deram início à violência lançando bombas de efeito moral, tiros de bala de borracha e pancadaria. Nas detenções, menores de idade teriam sido espancados, segundo relatam jornalistas que estiveram em delegacias policiais.

Isso aconteceu porque assim optou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Fernando Haddad (PT). O MPL protocolou pedido de audiência com a prefeitura de São Paulo na terça-feira 11. No dia seguinte o Ministério Público de São Paulo tentou intermediar um diálogo, conseguiu do MPL o compromisso de cancelar os protestos em troca da suspensão do aumento por 45 dias. Alckmin e Haddad, ignoraram a promotoria, rejeitaram o diálogo e referendaram a repressão policial. Alckmin descartou a hipótese de suspender o aumento numa entrevista no dia 13.



A cobertura da Globo, obviamente, justificou a agressão, tachando os manifestantes de baderneiros e vândalos. Com eles o grosso da imprensa reacionária, tais como a Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo, esta última que teria publicado que “espera-se que [Alckmin] passe dessas palavras aos atos e determine que a PM aja com o máximo rigor para conter a fúria dos manifestantes, antes que ela tome conta da cidade”.

Estas ações de violência desmedida realizada pelos 900 policiais que ali passaram é justificada com discursos que condenam os manifestantes, distorcendo os fatos, fazendo-os parecer que eram eles os violentos, quando não faziam mais do que exercer seu direito democrático de se organizar em defesa de seus direitos. E se uma minoria, sob as bombas de gás, tiros e cassetetes, revidou com paus, pedras e depredou ônibus e lixeiras, a velha mídia coloca o fato como principal, como o “todo” do movimento, desviando o foco da reivindicação justa que o movimento representa, e da brutalidade da repressão de uma PM que trás os resquícios da ditadura militar e desrespeita os direitos humanos e cidadãos.

O Rio de Janeiro assistiu cenas parecidas com manifestações do mesmo movimento, reprimidas pelo governador Sergio Cabral (PMDB), munido com a mesma retórica de acabar com a “baderna”. Houveram também protestos fortes em outras cidades como Porto Alegre, Santos ou Maceió e que também sofreram atos repressivos por parte da PM.

Essa violência da polícia não é novidade para a população da periferia, e como bem falou Leonardo Sakamoto: “O comportamento da polícia deixou apreensivos outras centenas de milhares da classe média, que descobriram pela televisão que esse tipo de violência existe. Mas não assustou milhões de moradores da periferia, que experimentam desde cedo a truculência da polícia, que – não raro – os trata – como cidadãos de segunda classe. Ontem, o Centro virou Periferia.”



Um comentário:

  1. Tropeçando na própria incompetência, Sérgio Cabral vem, ao longo de sua carreira política, acumulando derrotas que muitas vezes passam despercebidas. No quesito malandragem não resta dúvida de que Cabral é um dos mais espertos. Porém, em se tratando de estratégias que não sejam imediatistas, o sujeito comete erros políticos primários, principalmente por conta de sua prepotência. Nos faz lembrar o caso do ‘insuperável’ transatlântico inglês, com a qual ‘nem Deus podia’ segundo seus próprios construtores navais. E que se transformou no maior naufrágio da história. No Rio de Janeiro está acontecendo algo parecido com o caso do luxuoso transatlântico. Navegando com a soberba de construtor naval inglês, o Titanic do governador já tem dia e hora marcados para afundar.

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