segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Incêndios em Favelas e Especulação Imobiliária

Favela na Zona Sul de São Paulo

Ontem a noite (27/01) houve um incêndio numa favela em Porto Alegre, próximo ao estádio Arena do Grêmio. As autoridades suspeitam de uma mulher que incendiou a própria casa para tentar se suicidar. No entanto existe grandes possibilidades que esta seja apenas mais um dos inúmeros incêndios criminosos gerados pela especulação imobiliária. Que razão temos para suspeitar disso?

Quando uma favela pega fogo a prefeitura interdita o local e força o povo a sair. Muitas vezes o local para nas mãos de outras pessoas. Existe uma correspondência estatística entre os incêndios nas favelas que estão no caminho de grandes obras. Segundo a Brasil de Fato de 5/11/2012:

“Desde o início do ano em São Paulo, o Corpo de Bombeiros registrou 69 incêndios em favelas. Ao todo, 530 ocorreram desde 2008. Curiosamente, atingem muito mais favelas localizadas em áreas de maior valorização imobiliária. O próprio bairro de Campos Elíseos, onde fica a comunidade do Moinho, registrou uma valorização de 182,9% no preço médio do metro quadrado entre janeiro de 2008 a novembro de 2011, segundo pesquisa realizada pela Fipe em parceria com a ZAP Imóveis.”

Em 17 de setembro do ano passado queimava a favela do Moinho, em SP. Cerca de 80 barracos foram destruídos, uma pessoa morreu e outras 300 ficaram desabrigadas. A mesma favela foi incendiada em dezembro de 2011. A polícia tratou do caso como um crime passional de um casal usuário de crack, o que não convenceu a população: as primeiras informações passadas pelos bombeiros falavam em três focos de incêndio diferentes, distantes cerca de 50 metros um do outro. “'Curioso notar que os moradores vitimados são os mesmos que há 15 dias tinham relatado a ocorrência de forte pressão psicológica por parte da municipalidade, que exigia que esses moradores deixassem o local até outubro', afirma uma nota da Associação de Moradores do Moinho.” (Carta Capital 22/09/2012)

Em setembro do ano passado São Paulo registrou cinco incêndios em favelas em apenas duas semanas. no incêndio da favela do Piolho, nesta ocasião, deixou mais de mil pessoas desabrigadas. O local estava na lista de áreas que deviam passar por um processo de desapropriações para a construção de um Parque margeando toda a av. Águas Espraiadas.

Em 2005 a prefeitura paulistana de José Serra desativou o Programa de Segurança Contra Incêndio, implantado durante a gestão da prefeita Marta Suplicy. Seu sucessor na prefeitura, Gilberto Kassab "teve a chance de reativar o programa depois que um projeto de lei foi aprovado pela Câmara Municipal em 2009 - o que não ocorreu. (...) A Câmara Municipal abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a possibilidade de se tratar de uma atuação criminosa [dos incêndios]. Dominada pela base do prefeito Gilberto Kassab (PSD), porém, a CPI não realizou qualquer investigação até agora”. (Brasil de Fato 04/09/2012)

O interessante é que o número de incêndios em favelas vem aumentando, e há mais casos em locais cujo valor do terreno é elevado do que em locais cuja a própria infraestrutura é mais precária. Estranha coincidência, você não acha?

Porto Alegre, próximo ao estádio do Grêmio



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