segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Crime Impune - Um Ano da Reintegração de Pinheirinho



No dia 2 de fevereiro estive em São José dos Campos na manifestação em solidariedade ao Pinheirinho, visitei os abrigos e o local desocupado.

O Pinheirinho: Assentamento no município de São José dos Campos do Estado de São Paulo onde residiam aproximadamente 9.000 pessoas há 8 anos num terreno abandonado de uma empresa falida de Naji Nahas (o terreno é GIGANTE!). Naji Nahas tem uma extensa ficha criminal por lavagem de dinheiro e corrupção, mas é milionário e amigo de gente “poderosa”. O Governador Geraldo Alckmin (PSDB) ordenou a desocupação de Pinheirinho a pedido de Naji Nahas que desejava o terreno para especulação imobiliária, a despeito do fato das 9.000 pessoas não terem aonde ir. (Naji Nahas, pelo que deve ao governo, deveria ir preso. Mas, ao menos, o governo poderia tê-lo indenizado em dinheiro). Nas primeiras ameaças de reintegração os moradores do Pinheirinho se organizaram para resistir à polícia (com paus e tambores de plástico). Depois desta notícia as entidades “responsáveis” se dignaram a discutir um local para transferir os moradores (não mencionaram nenhum, pelo que sei).

A Reintegração: No sábado 21 de janeiro Suplicy foi ao local para tranquilizar os moradores, desarmando-os. No dia seguinte, às 4 horas da manhã 2.000 polícias, incluindo ROTA e Tropa de Choque invadiram o assentamento (é inconstitucional desapropriar no domingo e também de madrugada). Apesar da decisão do governo federal de não realizarem a reintegração, o governo de São Paulo desobedeceu e desafiou a presidência (mostrando quem é que manda no país, diga-se de passagem). Os policiais fizeram uma barbárie tão desumana que normalmente não acreditaríamos. Jogaram bombas dentro das casas, mataram cães na frente das crianças, espancaram trabalhadores inocentes... Helicópteros voaram rasantes apontando fuzis, polícias dispararam balas de borracha em trabalhadores que tentavam escapar, incendiaram casas, houve um salde de inúmeros feridos e algumas testemunhas dizem que viram assassinato. Até então não era possível comprová-lo porque os que morreram fora dali – nos hospitais e nas ruas – não são contados como vítimas da desocupação, e como as famílias estavam divididas por toda a cidade, ninguém sabia onde está ninguém, e assim haviam inúmeros desaparecidos. Depois de visitar o local do massacre, eu pessoalmente acho muito difícil que ninguém tenha morrido. As pessoas foram expulsas com a roupa do corpo, apenas. Ficaram no local móveis, eletrodomésticos, animais de estimação, tudo. A polícia ocupou o local até quarta-feira impedindo a visitação de qualquer pessoa, enquanto tratores demoliram todas as casas.

Os Abrigos: No mesmo dia os moradores ficaram num terreno vazio em frente ao Pinheirinho, sem terem para onde ir. Durante a tarde a polícia começou a jogar bombas no local, e o povo fugiu para a igreja, onde prometeram que estariam seguros. A polícia jogou uma bomba dentro da igreja também, forçando-os a fugir, perambulando pelas ruas. Visitei uma quadra de esporte que estava servindo de abrigo provisório. As famílias estavam alojadas de maneira desumana, onde falta o mínimo. Os colchões onde dormem estavam empilhados, mas a noite, segundo disseram, as pessoas dormiam todas amontoadas, visto que o espaço era insuficiente. Uma parte da comida enviada pela prefeitura chegava estragada, (o que estava levando crianças e idosos ao adoecimento) os policiais brigavam com os moradores, e começaram, depois deste tempo de alojamento desumano, os próprios ex-pinheirinhos a brigarem entre si. Lembrei do filme Ensaio Sobre a Cegueira. A tensão aumenta a cada dia pois eles são sempre ameaçados a serem despejados, e não têm para onde ir. O provável futuro deles é o mesmo das 1.700 famílias de Sonho Real de 2005 em Goiânia: a rua.

O Governo: A presidente Dilma lamentou o destino das famílias. Só isso. Ela tem o poder, com uma ordem judicial, de devolver a terra àquela gente, ou melhor, teria se ela mesma não fosse funcionária da elite milionária, incluindo o Sr. Naji Nahas, assim como todo o governo e a mídia oficial (Globo, Veja, etc). Esta imprensa podre omitiu os detalhes da operação suja e ainda pintou o povo pobre e trabalhador do Pinheirinho como bandidos. Acusaram-nos de possuírem drogas e armas – agora, alguém conhece algum bairro com 9.000 pessoas onde ninguém use drogas ou possua armas? Sabe quantas drogas e armas foram apreendidas? Eu sei: nenhuma.

Um ano depois: O PSDB foi forçado a fazer diversas promessas aos ex-moradores do Pinheirinho, como a de lhes realocarem. Jamais cumpriram a promessa. O terreno permanece abandonado, e, segundo encontrei no Blog do Miro, “Hoje, a área tem apenas mato, cercas e seguranças privados espalhados para evitar nova invasão - a calçada do lado de fora virou uma minicracolândia. O terreno foi devolvido à massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas, como ordenou a juíza Márcia Faria Mathey Loureiro" e "Algumas famílias recebem auxílio-aluguel de R$ 500, “mas o valor dos imóveis dobrou de preço nos bairros próximos ao Pinheirinho. Muitos partiram para áreas de risco, vivendo em casas abandonadas no Rio Comprido. Outros optaram pela zona rural"

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