terça-feira, 20 de novembro de 2012

Para Melhor Compreender a Política 2: Quem Manda no Governo?


O que você acha que o(a) presidente deveria fazer? Será que ele(a) já teve esta ideia? Será que depende só da vontade dele(a)? As pessoas estão sempre querendo que os governantes tomem determinadas atitudes, e nada mais justo, foi para isso que votaram neles. Mas quando este governante não toma as atitudes esperadas, pode-se arranjar explicações para isso. A mais comum é atribuir as ações ou omissões à corrupção. O político em questão é corrupto e só assumiu o cargo pelo dinheiro. Não faz o que devia porque não quer. Outra explicação possível é a falta de competência. Uma terceira ainda seria a de que o governante tem outra orientação política do que o esperado, e que o que ele faz simplesmente corresponde às suas convicções. Por esta razão muitos esquerdistas passaram a acreditar que o governo do PT é de direita ao mesmo tempo que os direitistas o consideram como sendo de esquerda. Esta, assim como as explicações anteriores, são perfeitamente aceitáveis, mas não isoladamente. As vezes o problema não é nem um dos apontados até agora.

É preciso ter em mente, para compreender a questão, duas coisas que geralmente escapam das discussões: (1) O governo está cheio de contradições e (2) o governo está inserido num contexto econômico, e neste contexto não há nada que tenha mais poder do que o dinheiro.

(1) Num mesmo governo existem diversas pessoas, entre as quais corruptas e honestas, competentes e incompetentes e com diferentes convicções e orientações políticas. Como um presidente não decide nada sozinho, as políticas dominantes serão, necessariamente, aquelas que espelham a maioria dentro do governo. Existem, é claro, poderes diferentes relativos aos cargos, mas qualquer político pode ficar imobilizado quando não consegue um número suficiente de pessoas que representem os mesmos interesses que ele representa. Jânio Quadros renunciou a presidência porque poderes de interesses contrários aos dele dentro do Estado demonstraram-se superiores; não mais justos ou melhores, mas mais fortes econômica e militarmente.

Isso obriga aos políticos a darem concessões enquanto pedem concessões,  como uma troca de favores arranjada entre as forças existentes. A concessão dada pode ser a aprovação de uma lei que beneficia os interesses dos políticos aos quais se propõe uma outra lei, ou pode ser propina, dinheiro, e esta pode ser, muitas vezes, a única forma de conseguir a cooperação: comprando-a.

Se nós supormos a situação de um presidente que seja contrário aos interesses dominantes no governo, (e lembremos que o fato do interesse ser dominante no governo não significa que o seja entre o povo) imaginaríamos que ele teria que fazer concessões muitas vezes indo contra o que ele mesmo acredita, além de fazer alianças com grupos que seriam, teoricamente, seus inimigos naturais. É como num jogo de xadrez, sacrifica-se peças para devorar outras peças. E é um jogo muito complexo e ardiloso, diga-se de passagem. Mas é assim que funciona a máquina burocrática do nosso Estado.

(2) Como se isso tudo já não bastasse, existe ainda um fator mais poderoso que os interesses dentro do senado, e estamos falando de quem manda no governo. Na maioria dos países (mas não em todos), inclusive no nosso, existem setores da sociedade que tem poder suficiente para derrubar governos. São eles o capital internacional, com suas empresas transnacionais, bancos e órgãos internacionais de controle de crédito; a nossa oligarquia rural, que são latifundiários que têm extensões de terra gigantescas; o capital nacional, subserviente ao internacional e, ao lado destes, a grande mídia e o exército. Eles estão unidos em metas econômicas socialmente irresponsáveis, mas muito lucrativas. Se um governo não atende aos seus interesses, eles o tiram de lá. E mesmo atendendo aos seus interesses, mas não tanto quanto poderia, eles realizam ataques violentos contra este governo, primeiro de natureza moral: eles o denigrem perante a opinião pública. Se isso não adiantar, eles passam às sabotagens. Quando necessário, dão o famoso golpe de Estado, geralmente chamando-o pelo nome de "revolução".

São tão poderosas as influencias externas (Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial, Agência para o Desenvolvimento Internacional, etc; somadas às empresas transnacionais), que governos foram depostos por causa deles. A Guatemala nos anos 50 teve seu presidente deposto porque propôs retirar terras da estadunidense United Fruit CO., implantando-se, inclusive, uma ditadura militar apoiada pelo país donde a empresa viera. Os Estados Unidos também impôs embargos comerciais em países como o Chile de 1970 e 1973, promovendo um caos econômico e criando assim condições para depor Allende. O Banco Mundial e a UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) decidem tudo sobre a educação no nosso país, e o governo federal assina embaixo senão eles cortam uma verba destinada a isso. A única maneira de um governo contrário a tais interesses ser bem sucedido é tendo o apoio da maior parte do povo, e precisa ser um povo disposto a sair na rua e brigar.

Então, a próxima vez que você for tomar alguma decisão pelo presidente, não se esqueça de levar essas informações em consideração.

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