quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Europa em Chamas

Madrid, Espanha

Ontem, 14 de Fevereiro de 2012, a Europa ferveu. O Sul do continente organizou, através dos sindicatos, Greve Geral. Houve grande participação popular da península Ibérica com milhares de pessoas que saíram às ruas nas principais cidades para protestar contra as medidas de austeridade fiscal aplicadas por seus governos. Foram registradas dezenas de prisões por conta de confrontos entre policiais e manifestantes. Só até as 11 da Manhã foram presos, na Espanha, 62 pessoas. Em Compostela houve uma manifestação com cerca de 5.000 pessoas, segundo algumas fontes.

De acordo com UGT (União Geral dos Trabalhadores) e CC OO (Confederação Sindical de Comissões Operárias), principais sindicatos que organizaram a paralisação, o balanço das dez primeiras horas de greve contabiliza participação massiva nos setores da indústria siderúrgica, automobilística, química e construção civil. As associações afirmam que houve paralisação de quase 100% nos portos (a exceção de 90% em Bilbao e 50% em Melilla), 90% dos aeroportos e no transporte rodoviário e ferroviário. A paralisação na indústria foi quase total.

Galiza
O governo da Espanha falou em "normalidade" sobre a situação do país, e enquanto as organizações trabalhistas alegavam que mais de 80% do operariado havia aderido à greve, as confederações empresariais disseram que havia sido apenas 12%.

Em diversos outros países também houveram agitos, em especial Grécia e Bélgica. Na capital belga, Bruxelas, sede das instituições da União Europeia, mais de mil pessoas, segundo a polícia local, se manifestaram na frente da sede da Comissão Europeia. Ruas de Paris também reuniram manifestantes, e até na Irlanda pouco mais de 50 pessoas se reuniram em solidariedade às jornadas de lutas.

Portugal
Essas movimentações no continente se dão pelas medidas de austeridade impostas pelos países para salvar a riqueza dos financiadores que causaram a crise econômica. Estas medidas cortam os gastos dos servições públicos e básicos, além de condenar milhares de pessoas ao desemprego. A crise se dá por causa de contradições internas da acumulação de capital, e neste caso específico, que é marca própria do nosso tempo, o capital financeiro. Desde os anos 70 os trabalhadores vem perdendo direitos com a desregulamentação neoliberal, e os patrões estiveram transportando suas indústrias para os países "em desenvolvimento". Os patrões passaram a ter acesso a toda mão de obra mundial. As perdas de direitos fizeram a concentração da renda aumentar e os salários vieram caindo vertiginosamente.

Se os trabalhadores estavam recebendo cada vez menos, como poderiam comprar os produtos que os próprios patrões vendiam? De onde viria seu lucro? A solução foi encontrada pelos financiadores nos cartões de crédito: expandindo a economia de crédito, as pessoas poderiam comprar. Isso fez com que a população se endividasse cada vez mais, e as famílias estadunidenses e inglesas, por exemplo, triplicaram suas dívidas nos últimos 30 anos.

Isso, se você está acompanhando o raciocínio, não parece ser uma medida muito responsável, pois não resolveu o problema, mas apenas o adiou para mais tarde, criando um novo problema ainda maior. Mas acontece que as medidas para salvar os financiadores tornam os financiadores cada vez mais poderosos. Isso faz afundar a industria e países inteiros, mas estas crises fazem aumentar a concentração nas mãos dos financiadores. Mais milionários surgem durante os períodos de crise, e isso significa que mais pessoas são lançadas à miséria. Agora a União Européia quer salvar os financiadores fazendo com que o povo pague as suas contas.

Compostela, Espanha

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